terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Além da Fronteira da Língua: a Cultura

Êta mundo bão!
O que me fascina no campo da linguística é  esse movimento vivo e intenso da língua que nos surpreende a cada novo contato com o outro. O segredo inserido em cada palavra pronunciada por outrem me instiga a querer desvendá-lo além de seu significado formal. Vejo as palavras como a materialização da alma, da sensibilidade, da história de cada pessoa. Quando não as temos, não conseguimos nos mostrar de forma clara, completa. Mas quando as dominamos, nos revelamos ao outro e neste movimento de compartilhamento mutuo, nos recriamos a cada nova experiência, na vivência das palavras.

Indo além da mágica que a língua comum proporciona a nós enquanto viventes de um mesmo teto, imagina a riqueza e o poder que o domínio de outros idiomas pode nos proporcionar, o tamanho da nossa evolução quando interagimos com outros povos e culturas, o contato com o diferente e diverso que esta interação global pode promover.

Aprender o idioma inglês é o início desta conquista e por isso é essencial e básico desde sempre para que todos tenham acesso a oportunidades iguais e possam decidir por eles mesmos até onde querem chegar, vivenciar e explorar deste mundo tão longe e tão perto, ao mesmo tempo.

Vivenciar o inglês e com ele alcançar outras culturas é ainda mais grandioso. Quando chegamos a este ponto, percebemos que o idioma inglês apenas abre as portas, deixando-nos ir mais além através dos signos teoricamente equivalentes ou visualmente comuns, mas que podem carregar significados muitos mais amplos e complexos quando analisados dentro do contexto cultural e pessoal do falante.

Esta mútua constitutividade é apresentada por Bakhtin, podendo ser de certa forma comprovada quando ele disse que ..."Nesse encontro dialógico de duas culturas elas não se fundem nem se confundem, mas elas se enriquecem mutuamente."

Posso dizer que pude viver esta magia e descoberta quando conheci uma grande amiga e parceira de estudos, durante meu último intercâmbio. Naquele momento de interação Brasil-Japão, em terras do Tio Sam, descobrimos juntas que a palavra "maybe" apesar de ter o mesmo sentido formal em inglês para ambas, quando inserida no contexto cultural de cada uma, poderia ter interpretações diferentes. De minha parte, expliquei que para os brasileiros, quando usamos a palavra "maybe", há 50% de chance de ser sim e 50% de chance de ser não, mas que vemos como positivo, uma possibilidade de ser sim, pois o brasileiro nunca perde a esperança.  Já na explicação dela, quando um japonês diz "maybe" provavelmente é um não de forma educada, pois se ele tem real interesse já expressa de imediato. Se a resposta não for sim de primeira, e usar o "maybe", não deve ter esperanças de ser um sim.

Acho que esta experiência tem tudo a ver com o que a prof. Claudia Hilsdorf compreende e traz em seu livro, através das palavras de T. M. Maher e suas próprias, sobre a cultura ser "um processo ativo de construção de significados, que nos leva a definir palavras, conceitos, categorias, valores, e nos permite viver no mundo, estabelecendo relações com o outro." (Rocha, 2012, p.85 Reflexões e \propostas sobre Língua Estrangeira no Ensino Fundamental I: plurilinguismo, multiletramento e transculturalidade).

Êta mundo bão!