Antes de me envolver com o mundo
tecnológico eu era um pouco cética quanto aos aplicativos de aprendizagem de
idiomas. Curiosa, acabava entrando em
alguns aplicativos com grande expectativa, porém desanimava na sequência, apesar
de já ter um de minha preferência, que se destacava por ter mais o meu jeito.
Assim, acabava desistindo dos demais em pouco tempo.
Vale esclarecer inicialmente que, como educadora, sou a favor de usar diferentes ferramentas e materiais didáticos que
venham a complementar o aprendizado. E incentivo o uso, principalmente quando as
ferramentas são descobertas e apresentadas a mim pelos próprios alunos.
Acredito também que toda metodologia ou abordagem funciona, desde que o
aluno escolha aquela que se alinhe melhor ao seu perfil.
Antes de a professora Karina solicitar
a pesquisa e análise crítica sobre a abordagem utilizada na criação do programa
Duolingo, eu já havia feito uma experiência, baixando o aplicativo em meu celular,
realizando alguns exercícios e um teste. A iniciativa surgiu por já ter sido
questionada a respeito do assunto por alunos e amigos várias vezes. Então fiquei
curiosa para saber como era esse novo aplicativo.
No primeiro contato, como usuária-aprendiz,
o aplicativo não ganhou minha simpatia, pois prefiro metodologias que trabalhem
com contexto em situações reais, algo mais próximo de uma Abordagem Comunicativa
(AC). Já o Duolingo, analisando de forma superficial até onde eu exercitei, está
mais para uma abordagem AGT (Abordagem da Gramática e da Tradução). Trabalhar palavras soltas não me atrai muito.
Não sou contra usar tradução durante a aula, se necessário, principalmente com
iniciantes para não assustar logo de cara. Mas gosto de colocar os alunos em
contato com aquilo que estão aprendendo o quanto antes, bem como simular
situações próximas à realidade deles e que exigem um “pensar para responder”. É como ensinar a pescar ao invés de entregar o
peixe. Esta é a minha filosofia de ensino, proporcionar independência
desenvolvendo competências.
Para minha surpresa, ao ler os artigos
relacionados à criação do aplicativo Duolingo, com declarações sobre o
propósito do programa desde sua origem, vi que ele tem um valor social interessante,
trazendo a acessibilidade do idioma aos que não teriam oportunidade se dependesse
de outras fontes. Além disso, ele
oferece uma plataforma de uso amigável e simples, mas desafiadora, com graus de
complexidade que possibilitam ao aprendiz uma auto avaliação, com possibilidade
de superação a cada avanço. Assim como nos ambientes dos jogos. Provavelmente, é
por isso que ele vem atraindo a atenção dos novos aprendizes, fissurados em alcançar
prêmios e superar níveis através dos games do momento.
Como mencionado em um artigo no
próprio site da Duolingo, a “Educação é a chave para a mobilidade
socioeconômica”. Desta forma, o Duolingo vem trabalhando neste sentido, pois já
tem mais de cem milhões de usuários, bem como expandiu seu programa para outras
línguas além do inglês.
Além do propósito de levar a
acessibilidade do ensino de idiomas, o aplicativo ainda cria um banco de dados
para tradução de páginas da internet, que resultará no acesso à informação
global por pessoas que não possuem outro idioma. Este trabalho é criado pelos
próprios usuários do sistema que, ao aprenderem um novo idioma, alimentam a
base de dados, trazendo não só o significado individual das palavras, mas
também considera o significado ambíguo e subjetivo. Esta atividade é feita
através da opção Imersão, que encontrei na versão acessada pelo computador, mas
não a encontrei na versão do aplicativo para celular.
Outra surpresa que descobri a respeito
é a criação do Duolingo Test, uma ferramenta de avaliação bem sucedida. Ela foi
elaborada com cuidado e levando em consideração requisitos como o Quadro
Europeu Comum de Referência e os níveis de proficiência exigidos pelas
principais instituições de avaliações de proficiência de idiomas que promovem os testes IELTS e
TOEFL. Nesta formação, a pontuação do teste se equivale aos demais com pequeno
desvio padrão, o que o torna uma ferramenta de grande valia nos processos
seletivos universitários e até profissionais, com nenhum ou baixo custo, dependendo
do modelo escolhido, no máximo chegando a representar 10% do valor dos testes
oficiais de proficiência mencionados. É o que verdadeiramente entendo por acessibilidade.
Em suma, considerando o benefício que
tem proporcionado a milhares de pessoas, os
criadores do aplicativo estão de parabéns. Conhecendo os custos desde a aquisição de um
idioma até sua avaliação formal, o que o Duolingo oferece é de grande valor
social: acessibilidade e oportunidade. Isso é o que importa.
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