terça-feira, 20 de outubro de 2015

Aplicando Nova TIC - Face Your Manga

Esta semana fiz a experiência de usar um novo aplicativo durante minha aula com duas alunas nas idades de sete e oito anos.  Uma é aluna permanente e a outra nos visitou pela primeira vez. Foi muito gostoso ver a empolgação delas quando apresentei o aplicativo. Ficaram perdidas com tanta opção.

Usei o Face Your Manga, propondo a criação de uma figura que as  representasse e que poderia ser usada nas redes sociais no lugar da foto do perfil, por exemplo.  Como o aplicativo é todo formatado no idioma inglês, a proposta da aula foi retomar o vocabulário referente a partes do corpo. Neste caso, especificamente, focamos a face e suas partes. Usando as opções de acessórios e algumas peças de roupa oferecidas pelo aplicativo, descobrimos novos vocabulários.  A orientação inicial era de, após minha explicação e apresentação do vocabulário, seguida pela repetição das palavras por elas, cada uma faria a própria escolha para o Manga que estava sendo criado.

Como é natural entre as crianças, a ansiedade e competitividade ganha espaço se não houver mediação pelo professor, o que fui fazendo sempre que a situação saia um pouco fora do controle.  Porém, buscava sempre trabalhar com a liberdade de escolha e procurava não opinar ou contradizer. Da mesma forma, valorizava a espontaneidade de cada uma e não incentivava comparações ou definições como o mais ou menos bonito ou feio. Enfatizava a todo o momento que cada criação tinha sua beleza e assim deveriam ser avaliadas.  A cada tela eu pedia para repetirem o nome do item escolhido, usando a palavra correspondente em inglês, evitando o uso do idioma português para o novo vocabulário.  Assim, seguimos conversando misturando naturalmente os idiomas, sem preconceitos. Neste exercício, surgiram frases como “não vou colocar nenhum necklace porque já coloquei ...”;  “Ai que lindo meu necklace!”;“Alguém vai por o earing?”; “O que é earing?”

De minha parte, fui apenas incentivando o uso das palavras e esperando os comentários que faziam a cada escolha. Minha única exigência era que usassem somente o idioma inglês para as palavras que estávamos aprendendo, o que não foi difícil a elas. Se algo era desconhecido por uma, a outra respondia ou se prontificava a ajudar antes de minha intervenção. Interessante mencionar que, quando uma não encontrava o ícone sobre um tema em português na tela, a outra apontava a palavra correspondente em inglês para aquele tema na tela da primeira, mostrando certa assimilação do signo ouvido em português com o signo escrito correspondente em inglês de forma natural. Fluidez ao transitar entre as línguas.

Aparentemente, com o uso de aplicativos de criação como este, conseguimos transformar uma aula de inglês em aula de artes em inglês, pois as crianças se encantam pela criação e o idioma flui naturalmente como parte da (e condição para) criação. Acaba sendo uma atividade dinâmica de suporte ao exercício de reincidência, exercício este essencial no processo de validação do aprendizado, que se conclui com a transferência da informação da memória de curto prazo para a memória de longo prazo.

Outras habilidades e competências como socialização, cooperação, uso da ferramenta de TI, autocrítica e empatia também são desenvolvidas nesta atividade, sem que sejam propostas e percebidas.

No papel de professora mediadora, tenho mais tempo de observar as alunas e suas respostas a cada experiência, bem como o que atrai a atenção de cada uma e como elas aprendem. Diante das respostas coletadas, consigo ser eficaz na escolha da abordagem de ensino e na forma de motivar, respeitando a singularidade do ser humano.

Nesta mesma aula, tentei aplicar outra ferramenta, apenas como teste. Apresentei o aplicativo sem vínculo ao tema da aula, só para ver a reação das alunas. Logo comprovei que realmente não adianta usar aplicativos simplesmente por modismo e de forma desordenada, sem sentido e em vínculo com o aprendizado. Ele deve ser parte do aprendizado e servir de suporte no processo de assimilação, caso contrário, a criança o verá como mais uma tarefa estranha para ser feita e perde o interesse de imediato.

Quando envolvemos a criança no processo de criação, ela se responsabiliza pelo próprio trabalho e responde de forma rápida e positiva à proposta apresentada pelo professor, exatamente como defende Vygotsky e outros autores, quando vinculam o conhecimento à interação, ou seja, aprender com a própria experiência.

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